Glasya - Heaven's Demise


Quando ouvimos pela primeira vez o nome “Glasya” isso remete-nos logo para a criatura demoníaca que tinha ao seu comando 36 legiões do Inferno. Esse foi o nome escolhido pelo o novo coletivo nacional contudo a abordagem deles à referência da personagem aproxima-se mais da que ficou conhecida como filha de Satanás, criada por Gary Gygax para o universo Dungeons & Dragons. O resultado acaba por ser um misto de ambas; os Glasya apresentam-se como uma banda de metal sinfónico cuja frontwoman Eduarda Soeiro pretende assumir a posição de líder das hordas de fãs do género. Demasiado ambicioso? Vamos ver…

Sempre que se fala neste subgénero é quase condição sine qua non a comparação com um dos grandes percussores do estilo, os Finlandeses Nightwish. Neste caso em concreto ainda se torna mais “obrigatório” esse paralelismo pois Eduarda é também a vocalista dos Nightdream, banda de tributo a Nightwish. Em termos de sonoridade é claramente uma influência mas não mais do que isso; a voz soa-me a um misto de Tarja Turunen (Nightwish), Simone Simons (Epica) e Stephanie Luzie (Atargatis/Darkwell) enquanto que a musicalidade se aproxima mais desta última com uma abordagem vincadamente mais voltada para o metal gótico de vocalização feminina que nos trouxe grandes nomes no final dos anos 90/princípio de 2000. A instrumentalização reflete uma sonoridade moderna, mais pesada, sem contudo descurar a excelente parte sinfónica. Abrindo aqui um parêntesis (e vou apenas constatar factos e não expressar juízos de valor), este género é muitas vezes menosprezado e voltado para um público mais feminino, quer seja pelas vocalizações quer seja pela abordagem mais sinfónica. E a meu ver foi claramente aqui neste ponto que os Glasya mostraram um nível elevado; mantendo a sinfonia característica do género souberam imbuí-la do peso necessário para que as composições ganhassem peso e corpo, sem caírem no erro de exagerar nesse capítulo que catapultaria a banda para outro tipo de sonoridades. Esse é um detalhe em que muitas bandas falham na tentativa de moldar o metal sinfónico para o tornarem mais apelativo a uma nova geração de ouvintes. O processo de criação musical é o mesmo que a criação de uma receita, a forma como os ingredientes são misturados e a sua dose fazem com que o resultado varie, a dificuldade está em não desvirtuar um prato de tal forma que se torne noutro. É claro que o facto de estarmos na presença de músicos já com larga experiência noutras bandas e com raízes/gostos musicais variados ajuda.

“Heaven's Demise”, o álbum de estreia dos Glasya, vai ser lançado via Pride & Joy Music no próximo dia 12 de Julho. É composto por 10 faixas e foi mixado e masterizado por Fernando Matias nos “The Pentagon Audio Manufacturers Studios”. Este trabalho conta com a colaboração de convidados: Paulo Gonçalves dos Rasgo (voz em “The Last Dying Sun”), Flávio Lino dos Deadlyforce (voz em “Glasya”), Nélson Raposo (voz-off profissional; voz do Rei em “Coronation of a Beggar”) e da violinista Inna Calori (“Coronation of a Beggar” e “No Exit from Myself“). O primeiro tema de avanço deste trabalho foi o homónimo “Heaven's Demise”, faixa que mostra o que podemos esperar dos Glasya: metal sinfónico com passagens épicas e voz operática onde se destaca a nível sonoro o sintetizador e a bateria, sem contudo renegar o papel das guitarras deixando espaço para um solo bem elaborado. Ainda sobre esta faixa, é curioso que no álbum existe um contínuo para o tema seguinte “Ignis sanctus” (“Fogo Sagrado”), deixando a sensação de que é uma história contada em 2 actos. “Coronation of a Beggar” junta ao ambiente sinfónico uma toada mais power metal de contornos étnicos, fazendo novamente um contínuo para “Glasya” de sonoridade mais arabesca. Este tema apresenta um dos duetos deste trabalho e é um dos meus preferidos do álbum, gosto principalmente da parte do refrão em que a música cresce de ritmo e intensidade. Esse crescendo é passado novamente em contínuo para “Eternal Winter” que arranca logo com um solo de guitarra, dando a sensação que estamos ainda no tema anterior, sendo que o “verdadeiro solo” está reservado para a passagem mais negra da faixa, bem caracterizada pela voz masculina. “Birth of an Angel” é aquela faixa mais calma, sem contudo ser a “tradicional” balada, que marca o momento de abrandamento no álbum antes de nova subida de ritmo em “The Last Dying Sun”. “Neverland” apresenta mais um bom solo de guitarra, “No Exit from Myself“ é outra música mais downtempo onde sobressai bem o registo vocal de Eduarda (se por esta altura dúvidas ainda houvesse); o álbum termina com o belíssimo instrumental épico “A Thought of You”.

Não há muitas bandas em Portugal a tocarem metal sinfónico nos moldes em que os Glasya o fazem, de sonoridade equilibrada em termos de peso e melodia assim como um alto nível de composição. Comecei por dizer que eram ambiciosos… pois têm todo o direito de o ser tal a qualidade apresentada neste “Heaven's Demise”.

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When we first listen to the name “Glasya” that immediately leads us to the demonic creature that had 36 Hell legions under its command. That was the name chosen by the new national group yet their reference to the character approaches more the one to be best known as daughter of Satan, created by Gary Gygax for Dungeons & Dragons Universe. The result turns out to be a mixture of both; Glasya present themselves as a symphonic metal band whose front-woman Eduarda Soeiro aims to assume the position of leader for the hordes of fans in the genre. Too ambitious? Let’s see…

Whenever we talk about this sub genre is almost sine qua non condition to compare the bands with one of the biggest precursors of the style, Finnish Nightwish. In this particular case that parallelism becomes “mandatory” because Eduarda is also vocals in Nightdream, Nightwish’s tribute band. Regarding sonority is clearly an influence but nothing more than that; the voice sounds to me as a mixture of Tarja Turunen (Nightwish), Simone Simons (Epica) and Stephanie Luzie (Atargatis/Darkwell) while the musicality tend more to approach this last reference, more into gothic metal with female vocals that brought us greats names in the late 90’s/beginning of 2000. The instrumental part reflects a modern sonority, heavier yet without neglecting the excellent symphonic part. Opening a parenthesis here (and I’ll only state facts and won’t be judgmental), this genre is often neglected and more oriented to female audience, whether because of the vocals or by the symphonic approach. And on my point of view this is where Glasya showed high standards; keeping the genre’s symphonic characteristic they knew how to fill it with the necessary heaviness to make the compositions gain weight and body without falling in the mistake of exaggerating in that chapter that would push the band to another type of sonority. This is one detail were many bands fail in the attempt of shaping symphonic metal in order to make it more appealing to a new generation of listeners. The process of musical creation is the same as creating a recipe, the way the ingredients are combined and their doses make that the result varies, the difficult part is not to distort a plate in order to turn it into something else. Of course the fact that we are in the presence of musicians with vast experience in other bands and with various roots/musical tastes makes it easier.

“Heaven's Demise”, Glasya’s debut album, will be released via Pride & Joy Music next July 12th. It has 10 tracks and was mixed and mastered by Fernando Matias at “The Pentagon Audio Manufacturers Studios”. This work has some guest musicians: Paulo Gonçalves of Rasgo (voice in “The Last Dying Sun”), Flávio Lino of Deadlyforce (voice in “Glasya”), Nélson Raposo (professional voice-off; King’s voice in “Coronation of a Beggar”) and violin player Inna Calori (“Coronation of a Beggar” and “No Exit from Myself“). The first single released was the homonymous “Heaven's Demise”, a song that shows what we can expect from Glasya: symphonic metal with epic passages and operatic voice where we can highlight regarding sound quality the synth and the drums, yet without neglecting the guitar’s role leaving space for a well executed solo. Still about this track, it’s curious that in the album exists a continuum passage towards the next song “Ignis Sanctus” (“Sacred Fire”), leaving the feeling that this is a story told in 2 acts. “Coronation of a Beggar” combines the symphonic ambiance with a more power metal pace of ethnic approach, again making a continuum to an arabesque “Glasya”. This song shows one of the album’s duets and it’s one of my favorites, I like mainly the chorus part where the music rises in rhythm and intensity. This crescendo is again passed along in continuum to “Eternal Winter” that starts with a guitar solo, giving the feeling that we are still listening to the previous track, being that the “real guitar solo” is reserved for the track’s darker passage, well characterized by the male voice. “Birth of an Angel” is that usual calmer song yet not the “traditional” ballad, that marks the slowing down of the album prior to another rhythm increasing in “The Last Dying Sun”. “Neverland” has another good guitar solo, “No Exit from Myself“ is another down-tempo song where Eduarda’s vocals are highlighted (if by now there were still any doubts about it); the album ends with the beautiful epic instrumental “A Thought of You”.

In Portugal there aren’t too many bands playing symphonic meal the way Glasya do, with balanced sonority regarding weight and melody as well as high level in composition. I started by saying they were ambitious… well they’re entitled to it due to the quality shown in this “Heaven's Demise”.

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