Inner Blast - Prophecy


Apesar de formados em 2006, apenas em 2012 os Lisboetas Inner Blast lançam o seu primeiro trabalho, o EP “Sleepless Monster”; 4 anos depois chega então o momento de avançarem com o álbum de estreia “Prophecy”.

É certo que já se passaram pouco mais de 2 anos desde o seu lançamento mas os bons trabalhos são sempre dignos de registo e este tempo que medeia o lançamento e esta análise acaba por funcionar como garante de qualidade. Surge também numa altura em que a banda se encontra a preparar o sucessor intitulado “Figment of the Imagination”, com data de lançamento prevista para este ano.

Os Inner Blast estão rotulados como uma banda de metal gótico mas só por si essa definição peca por escassa. É sem dúvida a base das suas composições mas combinam muito bem características de outros sub-géneros do metal. A tendência geral das bandas que enveredam por este estilo é colarem-se demasiado a outras de maior ou menor peso, tentando dar continuidade a uma fórmula que muitas vezes não resulta por causa da saturação a que é sujeita. Ao escutar a primeira faixa “Private Nation” fiquei logo com a ideia de multiplicidade de géneros, numa faixa melodiosa mas ao mesmo tempo pesada e consistente, com bons arranjos ao nível dos sintetizadores que se fazem ouvir na altura certa sem quebrarem o ritmo da música. A faixa soa-me a algo muito próximo de Epica mas com identidade própria; esta é uma das características da banda, nas suas composições conseguimos perceber as influências mas ao mesmo tempo soam como únicas. Esse trabalho torna-se mais fácil quando se tem os vocais acertados; a voz de Liliana revela-se capaz de alternar entre timbres o que permite um maior espectro vocal, mais-valia que se vai revelando ao longo do álbum e que acompanha bem as diferentes flutuações de estilo. Em “Insane” temos um primeiro contacto com a segunda voz, gutural, contraste habitual neste género, enquanto que “Darkest Hour” leva o gótico por caminhos mais electro/rock. “Feel The Storm” é outra prova da versatilidade da banda, começando numa toada mais mid-tempo subindo até um ritmo mais up-tempo, subida essa acompanhada também por Liliana que mostra aqui poder atingir notas mais agudas sem qualquer dificuldade. “Tears” é uma faixa rock que, apesar de ritmo lento semelhante a uma balada, soa musculada; de destacar o riff do solo e a voz a fazer lembrar Cristina Scabbia. O “legado” Lacuna Coil continua em “Legacy”, agora também com um toque sinfónico, assumindo uma toada mais pesada com a voz gutural muito bem acompanhada pela guitarra compassada e bateria mais rápida. “Inner Fire” é uma balada que se apresenta como tendo 2 momentos distintos: parte inicial mais lenta e melodiosa (curiosamente de todas as músicas, esta parte introdutória é a que menos me agrada na voz), subindo depois de ritmo e intensidade (na parte mais “preenchida” pelos instrumentos soa-me melhor a voz). “Time Machine” é uma faixa mais up-tempo com um toque de arabesco que nos chega pelo som sintetizado do alaúde, misturada com um toque de progressivo e alguns breakdowns; a voz de Liliana aproxima-se aqui à de Sharon den Adel por altura do “Enter” e “Mother Earth”. Essa característica vocal passa para a última faixa “Wings Of Freedom”, musicalmente próxima de um heavy metal clássico musculado misturado com os elementos góticos.

Evito fazer grandes comparações entre bandas mas aqui achei que seria a forma mais fácil de caracterizar a sonoridade dos Inner Blast. Repito, apesar de se notarem as influências nas composições conseguem passar uma marca muito própria pela forma como apresentam os arranjos musicais. Vamos aguardar pelo novo trabalho mas até lá fiquem com este “Prophecy” que certamente vos garantirá muitas horas de audição.

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Although created in 2006 only in 2012 Lisbon based band Inner Blast have released their debut EP “Sleepless Monster”; 4 years later comes the time for the debut album “Prophecy”.

It is certain that over more than 2 years have passed since this release but good works are always worth mentioning and the time lapse between the release and this review works as a quality seal. It also comes in a time when the band is preparing the sophomore “Figment of the Imagination”, scheduled to be released later this year.

Inner Blast are labeled as a Gothic metal band but that definition is scarce. Is undoubtedly the base of their music but they also combine pretty well other metal sub genres characteristics. The general propensity of the bands that choose this style is to stick too close to others more or less heavier, hoping to maintain a formula that sometimes doesn’t work out that well due to the saturation which she is exposed to. By listening to the first track “Private Nation” I immediately perceived the multiplicity of genres combined, in a melodic track that is at the same time heavy and consistent, with good synth arrangements that make themselves heard at the right time without breaking the rhythm of the song. The track reminds me of Epica but with an identity of its own; this is one of the band’s characteristics, in their compositions we can perceive the influences but at the same time they sound unique. This type of work becomes easier when you have the right vocals; Liliana’s voice reveals capable of alternating between timbres which allows a bigger vocal range, an added value that accompanies well the different style variations, which can be noticed along the entire album. In “Insane” we come in contact with the second voice, guttural, the usual contrast in the genre, while “Darkest Hour” takes us to a more electro/rock track. “Feel The Storm” is another proof of the band’s versatility, starting with a more mid-tempo pace rising into a more up-tempo well accompanied by Liliana’s voice that shows she’s capable of achieving higher acute notes with ease. “Tears” is a rock track that despite the slow rhythm resembling a ballad, is sounds muscular; I wish to highlight the solo riff and the voice that reminds me of Cristina Scabbia. The Lacuna Coil “legacy” continues in “Legacy”, now also with a symphonic touch, assuming a heavier pace with guttural voice well accompanied by paced guitar and faster drums. “Inner Fire” is a ballad that presents itself has having 2 distinct moments: slowly and melodically initial pace (curios that, of all the songs, this intro part is the one I enjoy the less regarding the voice), rising afterwards in rhythm and intensity (the “more filled” instrumental part sounded better to me regarding the voice). “Time Machine” is a more up-tempo track with a twitch of Arabic brought by the synth sound of the lute, blended with a touch of progressive and some breakdowns; here, Liliana’s voice resembles Sharon den Adel by the time of “Enter” and “Mother Earth”. That vocal characteristic goes on to the last track “Wings Of Freedom”, musically sounding like a muscled classic heavy metal blended with Gothic elements.

I usually avoid comparing bands but in this case I thought it would be the easiest way to better describe Inner Blast sonority. I repeat, although we can point out the influences in their songs they pass on a very distinctive mark regarding the way they present the musical arrangements. Let’s wait for the next work but until then stay with this “Prophecy” that will surely guarantee several hours of listening mood.

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