Veins - Innocence


A semana passada recebi na minha caixa de correio o álbum de estreia dos Italianos Veins intitulado “Innocence”; depois de ler a pequena descrição e ver o vídeo para o tema “Dying”, tive curiosidade em perceber mais do som que praticam. Acompanhem-me e vamos juntos discorrer as dez faixas do álbum.

Começando pela temática do álbum basta passar pela página da banda para ver que se centra principalmente nos conflitos no Médio Oriente, mais concretamente nos jovens que se vêm apanhados nas teias da Guerra e ficam a braços com uma luta por um futuro incerto, onde o único objetivo é sobreviverem enquanto esperam por dias melhores. Essa imagem também nos é transmitida pela capa onde se vê um demónio negro a dilacerar crianças, refletindo a perda da inocência. Musicalmente apresentam-se como uma banda de death metal o que, aliado à temática, não é nada descabido e leva-nos a pensar num álbum simples e direto… nada mais errado. Depois da intro “Animula Vagula Blandula”, “Part I” entra forte com uma bateria demolidora a par com guitarras agressivas, criando uma barragem musical fortíssima à qual se junta um solo de destaque; tudo isto com poucas vocalizações, em pouco mais de 3 minutos e sem soar simplório, dá uma mostra do que estes rapazes são capazes de fazer. “Dawn” repete a fórmula mas acrescenta um pouco mais de voz, para além de uma estrutura musical mais complexa e trabalhada (nota-se logo no solo de guitarra). “Reflections” soa à faixa com mais raiva numa fase inicial, assumindo entremeios uma toada mais progressiva com um toque de arabesco, para terminar novamente em “fúria”. “Part II” vai buscar muita inspiração à cena thrash original, num crossover a recordar Annihilator/Megadeth com um pouco mais de peso mas assente numa forte componente técnico melódica. “Dying” é uma das faixas com maior carga emocional, muito por força da toada mais triste e arrastada, e também o primeiro tema que ouvi da banda por ser o (creio eu) único tema que tem vídeo oficial. E foi justamente por esse vídeo que fiquei com curiosidade para perceber como soavam as outras faixa, pois nesta percebe-se muito da emotividade posta no álbum bem como da técnica dos elementos da banda. “Bullet In The Head” é outra das faixas que me agradou mais, com uma abordagem directa ao thrash/death mas com ganchos a pender para o nu metal bem como um refrão mais heavy metal que me suou aos Alemães Rage. “Innocence”, a faixa que dá nome ao álbum, é a faixa mais calma de todas mas que longe de ser uma “balada”, acaba por funcionar como uma mensagem, a perda da inocência muito bem caracterizada pelo som das botas a marchar; para além disso, a ligação que faz com “Take My hand” faz com que esta última funcione como um grito de raiva de alguém que se farta e tenta-se reerguer. O álbum termina com a instrumental “Time Doesn’t Exist”, uma faixa que percorre diversas sonoridades desde o rock progressivo ao semi-acústico e metal e que tem um duplo significado: a triste noção de que para quem se encontra na situação da temática do álbum parece que o tempo pára, tendo por outro lado a esperança de que o tempo trará mudanças positivas.

Uma coisa é certa, de inocência só mesmo o nome do álbum pois estes rapazes sabem bem o que fazem. A forma como combinam peso, melodia e técnica nas suas composições, mantendo uma sonoridade equilibrada sem pender demasiado para nenhum dos lados, aliada ao timbre de voz de Francesco que nos faz recuar umas décadas na música, é digna de registo e reveladora de lição bem estudada. Uma banda que aproveita muito bem as guitarras, assentando nelas grande parte da sua qualidade mas sem descurar uma vertente melódica (ou não fossem eles Italianos) assim como uma percussão bem colocada. Hoje é o dia do lançamento do álbum, por coincidência é também o meu aniversário; estas são daquelas prendas que recebo de muito bom grado.

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Last week I’ve received on my email the debut album from Italian band Veins called “Innocence”; after reading the short description and watching the video for the music “Dying” was curious to find more about their sound. Join me and let us expatiate on the album’s ten tracks.

Starting by the album’s theme just need a quick glimpse on the band’s Facebook page to see it focus mainly on Middle East conflicts, especially on the youngsters who see themselves caught in the web of War forcing them to fight for un uncertain future where the only goal is to survive while waiting for better days. That image is also shown to us by the cover artwork where we can see a black demon ripping apart children, reflecting the loss of innocence. Musically the band presents itself as death metal which associated to the theme is not unreasonable and leads us to think is a simpler and straightforward album… nothing could be more wrong. After the intro “Animula Vagula Blandula”, “Part I” starts strong with demolishing drums along with aggressive guitars creating a strong musical barrage to whom it joined an highlightable solo; all of this with short vocals, in less than 3 minutes long and without sounding simpler gives us an idea of what these boys can do. “Dawn” repeats the formula yet it ads a little more vocals besides a more crafted and complex musical structure (we can tell that only by the guitar solo). “Reflections” sounds like the more furious track at the beginning assuming somewhere in the middle a progressive tone with a touch of arabesc before ending again in “fury”. “Part II” gets most of its inspiration from the original thrash scene, in a crossover reminding Annihilator/Megadeth with a little more weight but based on a strong technical and melodic aspect. “Dying” is one of the tracks with more emotional charge mainly because of the slow sad pace and it’s also the first track I’ve heard probably because it’s the only official video. And was exactly because of that video that I got curious to see how the other tracks sounded like because in this one we can perceive most of the emotions putted in this work as well as the technical proficiency of the band members. “Bullet In The Head” is another track that pleased me the most, with a more direct approach to thrash/death but with hooks pending to nu metal and chorus more into heavy metal that sounded to me like German band Rage. “Innocence”, the album's title track, is the calmest of them all yet not a “ballad”, ending up working as a message, the lost of innocence very well portrayed by the sound of boots marching; besides, the link it makes with “Take My hand” makes this last one work as a scream of rage of someone who had enough and tries to get back on his feet. The album ends with the instrumental “Time Doesn’t Exist”, a track that covers several sonorities, from progressive rock to semi acoustic and metal and has a double meaning: the sad notion that for the ones involved in this situation it seems the time stopped, while on the other hand the hope that time will bring positive changes.

One thing is certain, by innocence only the name of the album because this guys know what they’re doing. The way they combine weight, melody and technique in their compositions, maintaining a balanced sonority without pending to much either side, along with Francesco timbre that takes us back a few decades, is worth highlighting and indicative of a well studied lesson. A band that takes good advantage of the guitars, basing on them most of its quality but without neglecting the melodic aspect (or weren’t they Italian) as well as a very placed percussion. Today is the release date and by coincidence it’s also my birthday; these are the type of gifts I gladly receive.

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